O triste falecimento de Bucky, um cão da raça Pug, ocorrido em um hotel para animais em Santos, no litoral paulista, acendeu um sinal de alerta urgente sobre os graves riscos da hipertermia em cães e outros animais de estimação. Veterinários especialistas alertam que o aumento excessivo da temperatura corporal é uma condição frequentemente registrada durante os meses de verão, exigindo vigilância redobrada por parte dos tutores. A falha nos mecanismos de termorregulação, característica da hipertermia severa, pode ter consequências fatais para os pets, como lamentavelmente ilustra o caso do Pug.
A fatalidade envolvendo Bucky ocorreu na segunda-feira, 12 de fevereiro, poucas horas após o animal ser deixado nas dependências do estabelecimento conhecido como Clube Auau. O cão manifestou mal-estar e foi prontamente encaminhado a uma clínica veterinária, onde sua condição foi categorizada como “hipertermia grave por falência do mecanismo de termorregulação”, conforme relato do local que o recebeu em estado crítico. A família, inconformada com a situação, manifestou a intenção de buscar reparação judicial contra o hotel, alegando omissão de cuidados prometidos especificamente para proteção contra o calor intenso. Em resposta, o estabelecimento lamentou o ocorrido e afirmou ter prestado todo o suporte e atendimento necessários ao cachorro durante sua estadia.
Morte de Pug Alerta: Prevenção de Hipertermia em Cães é Crucial
Especialistas em medicina veterinária, como Artur Teixeira Pereira e Thalita de Noffri, sublinham a seriedade dos impactos da hipertermia nos animais. Dr. Artur Pereira expressou preocupação: “Como médico veterinário, vejo com frequência como o calor pode ser fatal”. A hipertermia pode acometer qualquer cachorro que seja exposto a temperaturas elevadas, mas algumas raças possuem uma predisposição maior devido às suas características físicas intrínsecas, as quais dificultam a dissipação eficiente do calor corporal. Esse grupo de animais merece atenção ainda mais especial para evitar o superaquecimento.
Entre as raças mais suscetíveis à hipertermia, destacam-se os cães braquicefálicos, notabilizados por apresentarem focinhos mais curtos e achatados. Este é o perfil do Pug, raça de Bucky. Outras raças braquicefálicas comumente citadas incluem Shih-tzus, Boxers, Pequinês, Bulldogs e até mesmo Pit Bulls, conforme elucida a veterinária Thalita de Noffri. A estrutura craniana desses animais, explica Dr. Artur, já impõe um desafio respiratório em condições normais, situação que se agrava drasticamente em momentos de calor intenso. A dificuldade em resfriar o corpo, em comparação com outras raças, permite que o ar quente inale e exale com um esforço maior, acelerando um superaquecimento que pode evoluir para um quadro severo de hipertermia.
Adicionalmente, outros elementos aumentam a vulnerabilidade dos pets a essa condição crítica. A veterinária Thalita menciona a obesidade, a idade avançada e a existência de doenças cardíacas ou respiratórias pré-existentes como fatores de risco significativos. Outra complicação, frequentemente subestimada, reside na proximidade dos animais com o solo. Como Thalita explica, enquanto os seres humanos se encontram geralmente entre 1,65 e 1,70 metro de altura do chão, cães e gatos estão a meros 30 centímetros. Essa menor distância os expõe a uma sensação térmica consideravelmente mais elevada, intensificando a percepção de calor. Somado a isso, diferentemente dos humanos, os animais de estimação não possuem glândulas sudoríparas amplamente distribuídas pela pele, limitando sua capacidade de regular a temperatura corporal através da transpiração.
Reconhecendo os Sinais de Superaquecimento e Primeiros Socorros
Identificar os indícios de superaquecimento em animais é fundamental para uma intervenção precoce e pode salvar vidas. Os veterinários enfatizam que tutores devem observar atentamente quaisquer mudanças no comportamento ou na condição física de seus pets em dias quentes. Os sinais mais comuns de que um animal está sofrendo com o calor excessivo incluem:
- Respiração ofegante excessiva, prolongada e mais ruidosa que o normal.
- Salivação espessa e viscosa, frequentemente com baba excessiva.
- Coloração anormal das gengivas, que podem se apresentar vermelhas intensas ou, em casos mais graves, azuladas.
- Manifestação de fraqueza, letargia ou descoordenação motora.
- Episódios de vômito.
- Crises de diarreia.
Em cenários mais extremos de hipertermia, Thalita de Noffri alerta para a possibilidade de convulsões e desmaios. Ao notar qualquer um desses sintomas, a orientação unânime dos especialistas é procurar imediatamente atendimento veterinário. Como medida emergencial, o primeiro socorro envolve refrescar o animal, mas é crucial fazê-lo de maneira adequada para evitar choque térmico. O recomendado é posicionar o pet em um ambiente fresco e bem ventilado e usar um pano úmido com água morna para resfriar gradualmente seu corpo, nunca aplicando água gelada.
Dicas Essenciais para Prevenir a Hipertermia em Cães
A prevenção é o pilar principal para assegurar a saúde e o bem-estar dos pets em períodos de calor intenso. Os profissionais da área veterinária enumeram uma série de cuidados práticos que os tutores podem e devem adotar para minimizar o risco de hipertermia em cães:
- Horários de Passeio Inteligentes: Opte por caminhar com o pet nas primeiras horas da manhã ou no fim da tarde, quando as temperaturas estão mais amenas e a incidência solar é menor.
- Teste do Asfalto: Antes de iniciar qualquer passeio, verifique a temperatura do chão com a palma da sua mão. Se você não conseguir manter a mão no asfalto por cinco segundos, é sinal de que a superfície está muito quente para as patinhas sensíveis do seu animal.
- Ambiente Climatizado: Em dias extremamente quentes, mantenha seu cachorro em locais cobertos, com boa circulação de ar, preferencialmente com o auxílio de ventiladores ou ar-condicionado.
- Água Fresca Constante: Assegure que o animal tenha acesso ininterrupto a água fresca e limpa. A adição de pedras de gelo na água pode estimular o consumo e ajudar no resfriamento.
- Tapetes Térmicos: Considere oferecer tapetes resfriadores específicos para pets, que proporcionam um alívio térmico direto e eficaz.
- Peluagem Adequada: Mantenha a pelagem do pet bem cuidada. Contrário ao senso comum, muitos pelos atuam como isolantes térmicos e são parte do mecanismo de termorregulação natural do animal. Uma pelagem saudável, livre de nós, facilita essa função.
- Evitar Exercícios Intensos: Restrinja ou evite exercícios físicos muito prolongados ou intensos em dias de calor. A atividade extenuante eleva rapidamente a temperatura corporal.
A conscientização sobre os perigos do superaquecimento e a implementação dessas medidas preventivas são cruciais para proteger a vida de nossos companheiros. Para mais informações sobre a importância da saúde e bem-estar animal, é sempre recomendado consultar fontes oficiais, como o Conselho Federal de Medicina Veterinária do Brasil, um órgão de alta autoridade que dispõe de diretrizes e informações relevantes. Você pode acessar o site oficial para obter informações detalhadas sobre os cuidados com animais de estimação em diversas situações climáticas e de saúde. Para obter informações abrangentes sobre bem-estar e saúde animal, acesse o site do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV).
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Em suma, o trágico episódio de Bucky é um lembrete veemente da ameaça que a hipertermia em cães representa. Compreender os riscos, reconhecer os sinais e adotar medidas preventivas são ações que cada tutor pode e deve tomar para garantir a segurança de seus animais. Continue acompanhando nossa editoria de Cidades para mais notícias e dicas essenciais sobre bem-estar animal e assuntos relevantes para a sua comunidade.
Crédito da imagem: Arquivo Pessoal; Balazs Mohai/MTI via AP
