A família de Bucky, um cão da raça Pug, enfrenta uma profunda dor após a morte do animal poucas horas depois de ser deixado em um hotel pet na cidade de Santos, no litoral de São Paulo. O incidente, ocorrido em 12 de fevereiro, no estabelecimento Clube Auau, bairro Paquetá, é atribuído pela tutora, Rosana Gemignani Cardoso, à hipertermia, uma condição de aumento da temperatura corporal, provocada pelo calor no local. Rosana afirma que Bucky foi entregue ao hotel em perfeito estado de saúde.
Engenheira eletricista de 55 anos, Rosana contou que Bucky era fundamental para sua família, especialmente como cão de suporte emocional para a filha com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ele fazia parte da vida familiar desde abril de 2019, quando tinha apenas três meses de idade. A questão do calor era uma das maiores preocupações de Rosana em relação ao hotel, visto que Pugs são cães braquicefálicos, com características como cabeça curta, focinho achatado e crânio arredondado, exigindo cuidados especiais com a saúde, especialmente em altas temperaturas.
Morte de Cão em Hotel Pet em Santos Leva Família à Justiça
Rosana detalhou que funcionários do Clube Auau haviam garantido o acesso do animal a ambientes com ar-condicionado e manejo adequado para suportar as temperaturas elevadas. No entanto, o laudo da clínica veterinária que atendeu Bucky relata um cenário distinto. O documento aponta que o cão deu entrada em estado crítico, manifestando sintomas alarmantes como rebaixamento de consciência, ausência de reflexos motores, taquicardia e taquipneia (coração e respiração acelerados), náuseas com mímica de vômito, temperatura corporal de 40,7 °C, cianose de mucosas (coloração azulada ou arroxeada) e abdômen distendido por aerofagia (inchaço na barriga).
Preocupações e Histórico com a Morte do Cão no Hotel Pet
Esta seria a primeira vez que Bucky era deixado em um hotel pet. Anteriormente, ele acompanhava a família em viagens ou ficava sob os cuidados da cunhada de Rosana. A necessidade de encontrar um serviço de hospedagem surgiu devido a problemas de saúde da parente e a uma viagem internacional agendada para 12 de fevereiro, para a qual não haveria tempo hábil para organizar a autorização de viagem do pet. A busca por opções de hospedagem em Santos iniciou em 2 de janeiro. O Clube Auau, com seus 10 anos de experiência e imagens de cães se refrescando na piscina, parecia a opção mais confiável para a família.
A tutora realizou diversas perguntas à equipe do estabelecimento, com foco especial nos cuidados com o calor. Foi então orientada a levar Bucky para um dia de adaptação antes da estadia prolongada. O teste, que custou R$ 130, foi realizado na semana anterior à hospedagem e Bucky foi aprovado, o que levou a família a fechar um pacote de 18 dias no valor de R$ 2.560.
Cronologia da Trágica Ocorrência
Bucky foi deixado no Clube Auau ao meio-dia de 12 de fevereiro, acompanhado de sua comida e produtos de higiene. Após isso, a família seguiu viagem para São Paulo, de onde embarcaria para os Estados Unidos. Nos primeiros momentos, a equipe do hotel criou um grupo no WhatsApp e enviou fotos de Bucky, que aparentava estar bem. Contudo, enquanto aguardavam no aeroporto em São Paulo, Rosana, seu marido e filhas foram alertados por uma mensagem do hotel sobre o mal-estar do animal, que estaria sendo levado a um veterinário.
A família foi informada de que Bucky havia chegado à clínica com batimentos normais, o que contradiz o laudo, segundo a tutora, que descreve o cão praticamente morto à chegada. Diante da notícia, a viagem foi imediatamente cancelada, e a família retornou a Santos. No caminho, Rosana contatou a veterinária particular de Bucky, que confirmou a gravidade do quadro. Rosana lamentou: “Conhecendo a veterinária, eu já sabia que eu ia encontrar ele morto.” A tutora ainda relatou um descompasso nos horários: um vídeo do cão enviado pelo dono do hotel às 18h37, enquanto o óbito havia sido registrado às 18h20, evidenciando uma inconsistência de dados. A família chamou a polícia ao chegar à clínica veterinária e registrou um boletim de ocorrência.
Posicionamento do Hotel Pet de Santos
Em nota, o Clube Auau expressou profundo lamento pela morte de Bucky, afirmando solidarizar-se com a família e se colocar à disposição para todos os esclarecimentos. O estabelecimento detalhou que Bucky iniciou sua adaptação em 8 de fevereiro, passando o dia inteiro participando da rotina do clube sem intercorrências e no mesmo ambiente onde ocorreu o fato trágico.

Imagem: g1.globo.com
O hotel relatou que no dia da morte, Bucky, que havia dado entrada ao meio-dia, realizou suas atividades habituais à tarde, incluindo interações no quintal coberto, brincadeiras, alimentação e descanso com outros cães. Em relação ao combate ao calor excessivo na região, a empresa declarou adotar medidas preventivas padrão, como dois ventiladores ligados, esguichos de água nas paredes e manutenção constante do chão molhado para o conforto térmico dos animais.
Por volta das 17h30, Bucky apresentou um mal súbito, sendo prontamente detectado pela equipe, que iniciou procedimentos de primeiros socorros, resfriamento e encaminhamento urgente para uma clínica veterinária próxima. O Clube Auau informou que o cão chegou à clínica às 17h50, recebeu atendimento emergencial e todos os protocolos médicos, mas infelizmente faleceu. O estabelecimento enfatizou que atua há quase uma década no cuidado diário de cerca de 50 cães, incluindo muitos braquicefálicos, sem nunca ter registrado ocorrência semelhante. Reforçou ainda que outros animais presentes no local naquele mesmo dia, sob as mesmas condições, permanecem saudáveis e bem.
Luta por Justiça e Conscientização após a Perda Trágica
O valor da hospedagem foi devolvido, mas para a tutora Rosana, “nada nunca irá reparar a perda do animal”. O sentimento é de um vazio profundo e revolta, segundo ela, que sente Bucky foi “arrancado da gente”. A família não busca indenização financeira, mas pretende ingressar na Justiça contra o hotel para evitar que outras famílias sofram a mesma dor. Além da batalha legal, Rosana espera que o caso estimule a conscientização das autoridades e da população sobre os cuidados essenciais com os animais de estimação em climas quentes, bem como uma fiscalização mais rigorosa. A família também relata ter sido censurada pelo hotel, com comentários sobre o caso sendo apagados das redes sociais do estabelecimento. Cuidar de animais em ambientes com altas temperaturas é um desafio constante, exigindo conhecimento e medidas preventivas. Organizações como a World Animal Protection atuam para promover o bem-estar animal e a proteção contra condições adversas.
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A trágica morte de Bucky serve como um alerta doloroso sobre a responsabilidade e os cuidados necessários ao confiar animais de estimação a serviços de hospedagem. Acompanhe mais notícias e análises sobre temas importantes da cidade de Santos e região, acessando nossa editoria de Cidades.
Crédito da imagem: Foto: Arquivo Pessoal
