Investir no Exterior 2026: Dólar Fraco e Eleições Exigem Diversificação

Economia

A necessidade de **investir no exterior em 2026** emerge como um pilar estratégico para investidores brasileiros, mesmo diante de um cenário de dólar enfraquecido e a perspectiva de sua continuidade. Em um ano que se avizinha carregado de volatilidade devido às eleições, a diversificação internacional transcende a mera busca por retorno cambial, assumindo um papel fundamental na proteção e preservação patrimonial. Especialistas reiteram que a estratégia não é apenas uma aposta no mercado de câmbio, mas sim uma abordagem estrutural para mitigar riscos inerentes à concentração em ativos domésticos, conforme as condições econômicas globais e locais se redefinem.

O desempenho do dólar em 2025 marcou o período como o pior desde a década de 1970, com expectativas de que essa tendência de fraqueza se mantenha ao longo de 2026. Contudo, essa realidade cambial, longe de desencorajar a aplicação de recursos em mercados estrangeiros, serve como um catalisador para reavaliar e fortalecer a estratégia de alocação de ativos globalmente. A avaliação de que a diversificação internacional deixou de ser meramente uma aposta em câmbio e se estabeleceu como um componente estrutural para a redução de riscos concentrados no Brasil ganha força.

Investir no Exterior 2026: Dólar Fraco e Eleições Exigem Diversificação

A justificativa para uma postura mais global nos investimentos reside na intrínseca ligação do investidor brasileiro à economia nacional. Conforme pontua Rodrigo Aloi, head de pesquisa e estratégia da HMC Capital, grande parte do patrimônio, da renda e das carreiras dos brasileiros já está profundamente atrelada ao desempenho econômico local, incluindo ativos imobiliários. Aloi argumenta que a manutenção de uma concentração excessiva no mercado doméstico expõe o capital a perdas substanciais em quadros adversos, muitas vezes de difícil recuperação.

Ao longo de 2025, o dólar registrou uma clara tendência de desvalorização em âmbito internacional, notadamente frente a divisas de economias emergentes. Luis Garcia, CIO da SulAmérica Investimentos, salienta que esse movimento de enfraquecimento global predominou, superando inclusive as incertezas internas brasileiras. No cenário nacional, no entanto, o câmbio mostrou-se mais inconstante. Bruno Botelho, chefe de mesa de câmbio e sócio da ONE Investimentos, explica que a moeda americana flutuou refletindo tanto elementos externos, como a reavaliação dos juros globais, quanto questões internas vinculadas à política fiscal e ao panorama político.

Para o ano de 2026, a perspectiva de eleições se desenha como uma das principais fontes de volatilidade. Dados apresentados por Tadeu Arantes, head de alocação da Ghia Multi Family Office, demonstram a correlação direta entre períodos eleitorais e maior instabilidade cambial. A volatilidade anualizada média do dólar, historicamente, alcança 15,1% em anos de eleição, índice superior aos 13,9% observados em períodos sem pleitos. Esse ambiente de incerteza e oscilação ressalta, na avaliação dos gestores, a imperativa de não se limitar ao mercado nacional.

Artur Wichmann, CIO da XP, enfatiza que a diversificação internacional se tornou uma medida não opcional. O objetivo primário, segundo ele, não é meramente a busca por rentabilidade, mas primordialmente a redução do risco inerente à concentração patrimonial em uma única nação. Wichmann analisa que a dinâmica do dólar em 2025 teve um caráter mais estrutural do que muitos esperavam, o que, embora não preveja um colapso da moeda americana, indica um questionamento acerca do seu “excepcionalismo”.

Rodrigo Aloi, da HMC, corrobora essa perspectiva ao lembrar que todos os investimentos realizados em território nacional estão suscetíveis às mesmas variáveis político-econômicas. A única forma eficaz de salvaguarda contra choques domésticos é a exposição ao mercado global. Embora não se advogue a alocação de 100% do capital fora do país, Aloi alerta que a exposição comum de cerca de 1% está significativamente aquém do ponto de máxima eficiência, que estaria na faixa de 30% a 40% do patrimônio.

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Imagem: infomoney.com.br

Apesar do cenário de dólar mais fraco, o mercado acionário norte-americano mantém sua posição como uma das principais fontes de oportunidade para investimentos internacionais em 2026, segundo a avaliação de especialistas. O UBS Global Wealth Management, por exemplo, projeta uma visão positiva para a renda variável mundial para o próximo ano, mesmo após o expressivo desempenho das bolsas em 2025. Ronaldo Patah, estrategista para o Brasil da instituição, destaca que o robusto avanço das bolsas americanas no ano passado não indica um cenário de bolha. Em sua análise no evento “Onde Investir 2026”, Patah descreveu o mercado dos EUA como exuberante, mas racional.

Para Patah, as valorizações elevadas refletem fundamentos sólidos e perspectivas de crescimento consistentes, impulsionadas, em especial, pelo avanço da inteligência artificial, que estaria em uma etapa inicial de adoção massiva. A XP também mantém uma perspectiva otimista, tendo elevado para neutra sua recomendação de exposição aos mercados americanos. A casa espera que o impulso gerado pela IA se mantenha, a despeito de algumas incertezas econômicas. É importante destacar que diversificar no exterior não se limita apenas aos Estados Unidos.

Artur Wichmann salienta que o investimento internacional abrange um leque maior de opções. Europa, Japão e diversas economias emergentes apresentam atrativas oportunidades, especialmente no contexto de um dólar mais desvalorizado. A UBS, seguindo essa premissa de abrangência global, também expandiu sua exposição para outros mercados, como a China, a Europa e nações emergentes. Essa estratégia é sustentada pela expectativa de cortes de juros e pela projeção de crescimento de cerca de 8% nos lucros das empresas listadas no S&P 500 para 2026, segundo a análise da UBS. A busca por retornos diversificados em distintas geografias é uma resposta inteligente às complexidades do mercado global.

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Em suma, os ventos econômicos e políticos de 2026 reforçam a necessidade premente de uma estratégia de investimento globalmente diversificada. A despeito do dólar em baixa, a preservação do patrimônio e a minimização de riscos de concentração local são objetivos alcançados através de aplicações no exterior, que abrangem desde os Estados Unidos, com seu motor de inovação, a outros mercados promissores na Europa e Ásia. Continue acompanhando nossas análises para se manter atualizado sobre as melhores estratégias financeiras e descubra mais sobre economia e investimentos em nossa editoria.

Crédito da imagem: Banco Central do Brasil