Rio: Falta de Energia Castiga Leme e Copacabana por Dias
A persistente falta de energia elétrica em Leme e Copacabana, bairros tradicionais da Zona Sul do Rio de Janeiro, gerou uma resposta firme das autoridades de defesa do consumidor. Após moradores enfrentarem mais de 48 horas de interrupção no fornecimento, o Procon Carioca emitiu uma notificação à concessionária Light na segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, exigindo explicações e medidas compensatórias urgentes. A situação provocou mobilização social, com panelaços e protestos, além de desencadear uma Ação Civil Pública movida pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ), visando a restauração imediata do serviço e a proteção dos direitos dos cidadãos prejudicados.
A interrupção, que se iniciou por volta das 17h do sábado, 3 de janeiro de 2026, deixou milhares de residências e estabelecimentos comerciais em completa escuridão e sem acesso a serviços essenciais. Mesmo com a energia sendo restabelecida em algumas localidades na segunda-feira, grande parte dos bairros continuou a sofrer com a falta do serviço, aprofundando o cenário de transtornos e perdas significativas para a população local. A resposta inadequada e a falha na comunicação por parte da Light intensificaram a crise, que culminou em intervenções dos órgãos de proteção ao consumidor.
Rio: Falta de Energia Castiga Leme e Copacabana por Dias
A atuação do Procon Carioca busca proteger os consumidores diante da gravidade do problema. A notificação expedida à Light estipulou um prazo de 24 horas para que a concessionária apresente esclarecimentos detalhados sobre o processo de restabelecimento do serviço. Além disso, a empresa deverá submeter um plano de ação completo, descrevendo as estratégias para evitar futuras interrupções, e um programa de compensação que vise mitigar os prejuízos experimentados pelos clientes afetados. A intransigência e a demora na solução do problema configuram uma violação direta do Código de Defesa do Consumidor, conforme reiterado pelo órgão fiscalizador.
Impactos Profundos e Denúncias de Consumidores
Entre as medidas de reparação solicitadas pelo Procon Carioca estão o ressarcimento financeiro por alimentos perecíveis estragados, a indenização por danos causados a eletrodomésticos em virtude das quedas ou picos de energia e o abatimento proporcional nas faturas de consumo de eletricidade referentes ao período de interrupção. As múltiplas denúncias recebidas pelo órgão destacam uma falha grave e repetida na prestação de um serviço de caráter essencial. A ausência de uma comunicação eficiente, a falta de um cronograma claro para a normalização do fornecimento e a inexistência de ações imediatas para minimizar os transtornos causaram indignação entre os moradores. Segundo João Pires, secretário municipal de Proteção e Defesa do Consumidor, “o abastecimento de energia elétrica é um serviço essencial e não pode ser interrompido por mais de 48 horas sem explicações claras, sem planejamento e sem respeito ao consumidor. A Light precisa assumir sua responsabilidade, prestar informações transparentes e compensar integralmente a população pelos prejuízos causados. O Procon Carioca vai atuar com rigor para garantir que os direitos dos consumidores sejam respeitados”.
Os transtornos não se limitam apenas às perdas materiais. A interrupção prolongada da energia gerou dificuldades significativas de comunicação, elevou a sensação de insegurança em áreas que dependem da iluminação pública e privada para a vigilância e causou expressivos prejuízos financeiros ao comércio local. Muitos comerciantes, assim como Shelley de Botton, proprietária de uma padaria, viram-se obrigados a fechar suas portas por vários dias, amargando a ausência de faturamento e a impossibilidade de manter a produção. “Estamos sem luz desde sábado à tarde. Tive que fechar o estabelecimento no sábado e ainda não consegui reabrir. São três dias sem faturamento. Também sou fornecedora de pães para outros restaurantes e não estou conseguindo atender meus clientes, pessoa jurídica. Não consigo nem abrir a loja, e a produção está parada, porque os equipamentos não podem ser ligados”, lamentou a comerciante na tarde de 5 de janeiro de 2026.
Nos condomínios residenciais, o impacto foi igualmente severo. Clarice Peixoto, síndica do Edifício Copal, narrou o cenário de vulnerabilidade. “Ficamos dois dias com os portões de entrada sem energia, portanto, sem poder abrir ou fechar. O vigia noturno estava apreensivo e assustado. Além disso, temos três elevadores que não podem ser ligados. Muitos moradores estão impossibilitados de sair de casa”, descreveu a síndica. Essa situação, conforme aponta o Procon, corrobora a natureza indispensável do serviço elétrico na vida cotidiana, cujo desarranjo prolongado traz consigo uma série de consequências indesejadas.
Atuação da Defensoria Pública em Prol dos Moradores
Paralelamente à ação do Procon Carioca, a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) também iniciou sua intervenção no caso. A DPRJ passou a acompanhar a situação na manhã de domingo, 4 de janeiro de 2026, após relatos de moradores dos dois bairros sobre a interrupção total do fornecimento. Em um primeiro contato do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon) com a Light, a concessionária informou que o serviço estaria reestabelecido até as 12h do domingo. No entanto, essa promessa não foi cumprida, exacerbando a frustração da população.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Diante da inação da Light, que sequer retornou o contato com a Defensoria conforme prometido, a DPRJ encaminhou um ofício formal à empresa, exigindo explicações e providências urgentes, como o restabelecimento imediato da energia ou a instalação subsidiária de geradores nas áreas mais afetadas. A resposta da Light veio apenas no período da noite de domingo, indicando que a normalização total do serviço ocorreria até as 21h do mesmo dia. Contudo, na manhã da segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, por volta das 11h, a maioria dos pontos afetados continuava sem eletricidade, e as poucas áreas com serviço tinham uma prestação precária.
A persistência das falhas e o descumprimento reiterado dos prazos fornecidos pela concessionária levaram a Defensoria Pública a ingressar com uma Ação Civil Pública (ACP) na manhã de segunda-feira, 5 de janeiro de 2026. A medida judicial foi protocolada durante o plantão diurno da DPRJ, fundamentada na interrupção de um serviço essencial e no descumprimento contínuo das informações repassadas pela Light. A ação visa garantir, por via judicial, o direito fundamental da população ao acesso ininterrupto e regular à energia elétrica. A Defensoria enfatiza que a interrupção prolongada sem uma resposta adequada por parte da Light viola direitos básicos dos consumidores e busca não apenas a solução imediata para os atuais problemas, mas também prevenir ocorrências semelhantes no futuro.
Questões sobre a Gestão da Infraestrutura e o Abastecimento de Água
O Procon Carioca ressaltou também a ausência de transparência da Light quanto às causas do prolongado apagão, notando que a empresa não forneceu informações claras sobre os motivos da falha. Adicionalmente, a Polícia Militar do Estado informou que não foi acionada para qualquer ocorrência de furto de cabos na região durante o período. Tal dado levanta importantes questionamentos sobre a segurança e a manutenção da infraestrutura elétrica, assim como sobre a coordenação e comunicação entre a concessionária e os órgãos de segurança pública. Para mais informações sobre a importância da regulamentação no setor de energia elétrica, pode-se consultar o portal oficial da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Em meio à crise energética, a concessionária Águas do Rio confirmou que o abastecimento de água encontra-se normalizado nos bairros de Copacabana e Leme. Em nota, a empresa explicou que os sistemas de bombeamento das comunidades Chapéu-Mangueira e Babilônia, no Leme, que haviam sido afetados pela falta de energia, já estão em plena operação. Para a Ladeira Ary Barroso, a Águas do Rio informou a instalação de um gerador temporário na segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, garantindo o serviço de água até a completa regularização do fornecimento de energia elétrica pela Light.
Confira também: Imoveis em Rio das Ostras
A situação dos bairros de Leme e Copacabana reflete a fragilidade da infraestrutura e a necessidade de maior responsabilidade por parte das concessionárias em serviços essenciais. A mobilização do Procon Carioca e da Defensoria Pública demonstra a importância da fiscalização e da busca pela justiça em nome dos consumidores prejudicados. Mantenha-se informado sobre este e outros temas relevantes acompanhando a seção de Cidades em nosso blog.

