Os fundos multimercados registraram um ano de contrastes em 2025, marcado tanto por movimentos de resgate significativos quanto por uma notável fase de revitalização dessa modalidade de investimento. Segundo Guilherme Zaczac, responsável pela área de Alternativos Líquidos para o Brasil no UBS Global Wealth Management, as transformações no panorama da indústria proporcionaram oportunidades valiosas, especialmente para gestores que souberam antecipar e interpretar as dinâmicas de mercado. Ele ressalta que, embora a recuperação não tenha sido universal, os profissionais com análises assertivas dos cenários doméstico e internacional obtiveram sucesso expressivo, fundamentando o debate sobre como investir nesse segmento para 2026.
Desempenho Notável e Desafios Superados em 2025
Entre os exemplos de sucesso em 2025, Zaczac destaca a performance de Bruno Coutinho, da Mar Investimentos, que demonstrou retornos consistentes, variando entre 23% e 27% até o mês de novembro. Esses ganhos foram impulsionados por teses com foco no mercado nacional, antecipando tendências para as eleições de 2026, identificando ações com preços atrativos e capitalizando com a valorização do Real frente ao Dólar, além dos cortes nas taxas de juros promovidos pelo Federal Reserve. Outro caso de êxito foi o K10, da Kapitalo, sob a gestão de Bruno Cordeiro, que atingiu um retorno de 20% ao conseguir mitigar a volatilidade presente no mercado de commodities, demonstrando habilidade em momentos desafiadores para esses fundos.
Fundos Multimercados 2026: Estratégias e Recomendações de Especialistas
Em contrapartida, a SPX, reconhecida como uma das maiores gestoras independentes do Brasil, enfrentou um ano mais complexo em seus fundos multimercados macro, o Raptor e o Nimithz, apesar de um ganho extraordinário em seu Equity Hedge. Apesar da recuperação recente, esses fundos ainda se encontram abaixo do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) no acumulado do ano. Contudo, Zaczac enfatiza que a SPX está cultivando novas estratégias para o próximo período, com projeções ambiciosas para o ciclo eleitoral e uma visão estratégica promissora em relação ao mercado externo. Ele faz questão de pontuar a inteligência da visão de mundo de Rogério Xavier, fundador e gestor da SPX, como um diferencial para o futuro do investimento em multimercados.
O Fundo Verde, liderado por Luís Stuhlberger da Verde Asset e um dos multimercados mais consolidados no cenário financeiro, destacou-se por sua notável consistência. O veículo acumulou um ganho superior em três pontos percentuais acima do CDI ao longo de 36 meses, apresentando uma volatilidade substancialmente mais controlada. Zaczac ressalta a capacidade de Stuhlberger de gerar retornos sólidos e contínuos, registrando zero meses negativos até novembro, um feito que demonstra a resiliência e a expertise de sua gestão. Essa performance eleva o patamar dos multimercados para 2026, reforçando a importância de gestores experientes.
No campo dos gestores tradicionais, a Ibiúna, que conta com a experiência de ex-diretores do Banco Central, Rodrigo Azevedo e Mário Torós, também experimentou desafios no início do ano. O fundo Ibiúna Hedge ficou abaixo do CDI, marcando 11,84% até 10 de dezembro. Contudo, a casa vem evidenciando uma robusta recuperação desde agosto. A vivência e a compreensão profunda da forma de atuar dos Bancos Centrais por parte de Azevedo e Torós são apontadas por Zaczac como uma vantagem estratégica, especialmente em um contexto de expectativa de mudança no ciclo global de juros para o ano seguinte, fator crucial para a performance de fundos multimercados.
Zaczac ainda ressalta outro proeminente ex-diretor do Banco Central, Bruno Serra, atualmente na Itaú Asset. Serra é responsável pela gestão do fundo multimercado Itaú Janeiro e integra a nova leva de gestores com background em policymaking. Sua atuação tem gerado um retorno bastante consistente, próximo de 20% no ano, associado a uma baixa volatilidade e uma postura notoriamente cautelosa no manejo dos investimentos, solidificando sua reputação no mercado de fundos multimercados para 2026 e além.
Estratégias para 2026: O Que os Especialistas Recomendam
Quando o assunto são as projeções e sugestões para investir em fundos multimercados em 2026, Guilherme Zaczac manifesta apreço pela visão estratégica de Bruno Coutinho, da Mar Asset Management. Embora reconheça que as estratégias da Mar possam apresentar uma volatilidade superior, tornando-as não ideais para todos os perfis de investidores, Zaczac elogia a habilidade de Coutinho em identificar tendências e sua disposição em abraçar riscos de forma coerente. Para ele, Coutinho representa um candidato promissor ao se pensar no desenvolvimento futuro da indústria de multimercados.

Imagem: infomoney.com.br
Outra forte aposta de Zaczac recai sobre a SPX, apesar do desempenho mais modesto observado no ano anterior. A recomendação clara é “nunca apostar contra Rogério Xavier”. Zaczac destaca que o fundador da SPX possui uma vantagem singular por operar de Londres, distanciado do epicentro do mercado financeiro brasileiro na Faria Lima, o que lhe confere uma perspectiva menos passional e mais analítica sobre os investimentos em fundos multimercados. Especialistas do setor também concordam que o Fundo Verde, de Stuhlberger, deve compor obrigatoriamente as carteiras de investidores que buscam consistência. Para complementar, outros nomes são mencionados como opções viáveis, incluindo o K10 da Kapitalo, a Genoa, a Radar e a Vestar, gerida por André Raduan, ex-Itaú. Esses gestores, segundo Zaczac, possuem um perfil mais voltado para o trading diário, focados em proteger os portfólios das oscilações de ciclos de mercado, em vez de apostar em grandes teses de longo prazo. A compreensão das complexidades macroeconômicas é fundamental para se posicionar de forma estratégica em 2026, como abordado por análises recentes sobre o impacto da política monetária global em grandes portais como o Valor Econômico (leia mais sobre o cenário econômico global).
Panorama da Indústria: Juros, Diversificação e Oportunidades Futuras
O fator central para a potencial melhora do cenário dos fundos multimercados reside na expectativa de redução da taxa de juros. Mário Schalch, sócio e gestor de Multimercados na Neo Investimentos, empresa com mais de duas décadas de experiência no mercado, explica que essa queda tenderá a diminuir marginalmente a vantagem competitiva dos títulos de crédito isentos de impostos. Ele observa que, com o bom rendimento apresentado pelos fundos este ano, o setor possui todas as condições para se aprimorar. Embora a retomada talvez não atinja os patamares de quatro anos atrás, o setor deve atrair um número maior de investidores em um momento em que os mercados de risco se tornarão mais interessantes, e a diversificação passará a ser uma fonte de ganhos ampliados nos fundos multimercados. Isso sinaliza uma perspectiva positiva para uma indústria que, nos dois anos anteriores, encolheu em quase dois terços, mas se prepara para um promissor 2026.
Confira também: Imoveis em Rio das Ostras
Em síntese, o cenário para os fundos multimercados em 2026 aponta para uma revitalização, impulsionada pela redução das taxas de juros e pela expertise de gestores que souberam navegar em um ambiente de volatilidade. A diversificação e a seleção cuidadosa dos fundos, considerando as visões de mercado de especialistas como Zaczac e Schalch, serão cruciais para quem busca otimizar retornos. Para aprofundar-se nas dinâmicas que moldam as escolhas dos investidores para 2026, explore outros artigos sobre o cenário econômico e eleitoral em nossa editoria de Eleições 2026.
Crédito da imagem: Banco de imagens.
