A habilidade de liderar transcende a mera presença ou a gestão de equipes. De acordo com especialistas, a comunicação de poder é um pilar fundamental para líderes que almejam não apenas guiar, mas inspirar e consolidar o sucesso de suas empreitadas. Figuras icônicas da história, como Winston Churchill, Nelson Mandela, Oprah Winfrey e Steve Jobs, partilham uma característica comum: a maestria na arte de comunicar de maneira cativante.
Ao longo da jornada, que inclui a instrução em comunicação gerencial e o auxílio a startups na captação de vultosos investimentos, foi identificado um atributo crucial e frequentemente subestimado em oradores eficazes: a capacidade de projetar poder por meio de suas palavras, e não meramente pela sua presença física. Dominar essa “linguagem do poder”, que envolve escolhas estratégicas de palavras, estruturas frasais, temas e padrões de fala, pode catapultar significativamente a trajetória de líderes em suas posições gerenciais. Esta maestria permite-lhes assegurar recursos essenciais para projetos e iniciativas e, crucialmente, conquistar o respeito e a admiração de seus seguidores, fomentando um ambiente de sucesso contínuo.
5 Formas de Líderes Comunicarem Poder para o Sucesso
Abaixo, detalhamos cinco táticas eficazes que podem ser empregadas para elevar o impacto de sua oratória e fortalecer a percepção de poder em sua comunicação diária, consolidando sua imagem como um líder autêntico e influente. Aprimorar a forma como um líder interage e articula suas ideias não é apenas uma questão de técnica, mas de posicionamento estratégico no complexo ecossistema profissional.
1. Priorize a Ação em Vez da Simples Deliberação
Líderes dotados de poder entendem que a fase de deliberação é crucial. Eles analisam minuciosamente as diversas opções, ponderando prós e contras e buscando contribuições de sua equipe e stakeholders. Contudo, quando o momento da comunicação chega, a ênfase é nitidamente deslocada para a ação. Esta mudança reflete uma postura gerencial proativa, distinta de uma mera exploração de possibilidades.
Compare as seguintes abordagens. Em uma comunicação neutra, o discurso poderia ser: “Há múltiplas escolhas à nossa frente. Se selecionarmos a Opção A, podemos solidificar nossa reputação junto aos clientes atuais. Por outro lado, caso optemos pela Opção B, poderíamos ter uma chance de ampliar nossa fatia de mercado.” Em contrapartida, uma declaração de poder transformaria essa fala em: “Embora a Opção A auxilie na preservação da nossa reputação com os clientes atuais, a Opção B representa a escolha incontestável para reforçar e expandir nossa posição. Iremos agora organizar a execução. Inicialmente, contrataremos os indivíduos para as funções requeridas. Em seguida, estabeleceremos contato com a imprensa.”
Estudos indicam que ambas as afirmações transmitem o mesmo patamar de competência, mas a segunda é interpretada como mais robusta, gerencial e propensa a conferir maior status ao orador. Essa diferença ressalta como a formulação da mensagem pode alterar drasticamente a percepção de liderança e influência.
2. Cultive a Abstração em Detrimento da Adesão Rigorosa aos Dados
Os líderes contemporâneos estão frequentemente imersos em um vasto mar de dados. Taxas de engajamento, KPIs (Indicadores Chave de Performance) e gráficos de conversão inundam suas rotinas, oferecendo informações, mas nem sempre proporcionando clareza e insights profundos. Pesquisas recentes demonstram que líderes que pensam e se expressam de forma mais abstrata são percebidos como mais poderosos, uma vez que conseguem ir além dos números para apresentar a visão geral.
Por exemplo, uma pesquisa revelou que fundadores de startups que descrevem seus modelos de negócio de maneira excessivamente concreta tendem a ter menor êxito na obtenção de financiamento, em comparação com aqueles que adotam descrições mais abstratas e conceituais. Este contraste ilustra como a abstração pode ser um catalisador de sucesso.
Vamos comparar novamente: Uma mensagem neutra focada nos dados diria: “A retenção de clientes elevou-se em 2,5% neste trimestre, o que representa um acréscimo de 1.250 clientes fiéis.” Uma mensagem com poder, por outro lado, adotaria uma linguagem mais abstrata e inspiradora: “Mais clientes estão escolhendo permanecer conosco. Isto vai além do mero crescimento – trata-se de confiança. Se construirmos sobre esse ímpeto, podemos transformar usuários satisfeitos em verdadeiros defensores de nossa marca por toda a vida.” Os dados são informativos, mas é a abstração que realmente eleva a narrativa. Por essa razão, frequentemente nos referimos a grandes líderes como “visionários”. Quando você fala, com ou sem dados, seu poder manifesta-se ao apresentar uma perspectiva ampliada e inspiradora.
3. Assuma o Fracasso e Abandone a Busca por Culpados
A tentação de atribuir os méritos das vitórias e desviar a responsabilidade pelos reveses é compreensível, mas constitui um grave equívoco na comunicação de um líder. Analise os exemplos de Tony Hayward, ex-CEO da BP, que culpou a operadora da plataforma Transocean pelo vazamento de óleo da Deepwater Horizon, e Dennis Muilenburg, ex-CEO da Boeing, que criticou a manutenção e o treinamento de pilotos da Lion Air após o primeiro acidente do 737 Max, ao invés de reconhecer falhas no projeto da aeronave. Ambos foram subsequentemente removidos de seus cargos.

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Culpar terceiros ou desviar a responsabilidade projeta uma imagem de fraqueza, indicando a incapacidade de influenciar ou controlar a situação. Essa atitude transfere o fracasso – e, por consequência, o poder de resolução – para outro. Assumir o fracasso, no entanto, sinaliza poder. Ao assumir a responsabilidade, o líder demonstra sua capacidade de retificar o problema e gerenciar com maior eficácia cenários futuros.
Em julho de 2024, a empresa de cibersegurança CrowdStrike enfrentou uma severa crise provocada por uma atualização defeituosa que causou interrupções generalizadas. O CEO, George Kurtz, prontamente assumiu a responsabilidade, declarando: “Quero pedir desculpas sinceras diretamente a todos vocês pela interrupção de hoje. Todos na CrowdStrike compreendem a gravidade e o impacto da situação. Identificamos rapidamente o problema e implementamos uma correção.” Sua rápida assunção do problema, seguida de uma transição para ações corretivas, demonstrou uma liderança robusta e contribuiu para conter reações negativas adicionais.
4. Faça Perguntas para Avaliar, não Apenas para Impressionar
Estudos recentes revelam que indivíduos em posições de poder não estão necessariamente focados em impressionar, mas sim em avaliar. No contexto corporativo, aqueles que detêm mais poder tendem a avaliar quem possui menos: recrutadores avaliam candidatos, compradores analisam vendedores, investidores de capital de risco escrutinam startups. Em negociações, quem se sente em uma posição forte geralmente faz mais perguntas para discernir se a outra parte trará valor real para si, enquanto aqueles em uma posição mais fraca tendem a tentar provar seu próprio valor. O comportamento de “provar” é, por essência, uma manifestação de baixo poder.
Contudo, a avaliação é uma via de mão dupla em qualquer interação. Um candidato altamente qualificado, por exemplo, pode sondar os recrutadores para verificar se a função é verdadeiramente adequada ao seu perfil. Similarmente, um vendedor pode ser seletivo quanto aos clientes com quem opta trabalhar, refletindo sua autoconfiança e a percepção de seu próprio valor. Empresas de alto padrão, como a Gulfstream e a Feadship, notoriamente avaliam os potenciais compradores antes de permitirem a aquisição de seus jatos e iates de luxo, invertendo a dinâmica usual.
Para comunicar poder de forma eficaz, o líder deve direcionar perguntas perspicazes aos seus interlocutores ou à sua audiência. Após demonstrar seu valor por meio de respostas, um candidato a um cargo executivo poderia, por exemplo, perguntar: “Como a liderança apoia a inovação aqui? Qual é a visão de longo prazo para esta função?” Da mesma forma, uma startup promissora pode indagar um investidor: “Qual é o seu histórico em auxiliar empresas a escalar? Como vocês agregam valor além do capital?” Tais questionamentos, que avaliam a contraparte, sinalizam confiança e autoridade sobre as próprias escolhas, equilibrando a dinâmica de poder. A curiosidade emerge como um “superpoder” neste cenário; o objetivo não é a arrogância, mas sim a demonstração de respeito pelos seus próprios objetivos através da investigação aprofundada.
5. Controle os Holofotes, Não Busque Estar sob Eles
Reuniões representam um palco público onde as dinâmicas de status se manifestam de forma clara, e onde indivíduos frequentemente competem por posição e reconhecimento. A maneira como você se apresenta e interage com a equipe é como a equipe irá percebê-lo. É um erro comum pensar que a melhor forma de se destacar é simplesmente adicionar suas próprias perspectivas e valor de maneira contínua. Na verdade, a pessoa mais poderosa em uma sala não é aquela que busca o centro das atenções, mas sim quem as controla e direciona. É quem organiza o fluxo, estabelece a pauta, modera as discussões e transforma ideias em ações concretas.
Por exemplo, um líder pode iniciar uma reunião estratégica declarando: “Vamos começar com uma análise do desempenho do último trimestre para estabelecermos o contexto, em seguida passaremos aos principais desafios e oportunidades, e finalizaremos com um plano de ação claro e bem definido.” À medida que a reunião avança, o líder pode fazer perguntas exploratórias que estimulem contribuições significativas de todos os participantes, como: “Se tivéssemos que tomar essa decisão hoje, o que cada um de vocês recomendaria?” Permita que os outros deliberem, para então sintetizar as contribuições em um plano decisivo. O objetivo de quem conduz não é falar mais, mas sim direcionar mais. Para atingir este propósito, foque no panorama geral, elabore perguntas pertinentes e organize as propostas em ações claras.
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Dominar as cinco estratégias de comunicação de poder líderes apresentadas aqui não é apenas um caminho para ser mais ouvido, mas para ser percebido como um líder mais forte e convincente. Aplicar essas técnicas permite influenciar, motivar e, finalmente, impulsionar o sucesso de suas iniciativas e de toda a organização. Continue explorando as análises aprofundadas em nossa editoria para aprimorar ainda mais suas habilidades de liderança e gestão.
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