O Caminhos da Reportagem: São Silvestre celebra 100 anos de uma das provas mais emblemáticas do cenário esportivo brasileiro. O tradicional evento, que completa um século de existência em 2025, será tema de um programa especial do Caminhos da Reportagem, da TV Brasil. Esta edição centenária, iniciada em 1925, solidificou-se como um marco no Brasil e em toda a América Latina.
A edição comemorativa, intitulada “100 Vezes São Silvestre”, será exibida excepcionalmente nesta segunda-feira (29), às 22h30. A atração busca aprofundar a rica história do evento, explorando os fatos e personagens que construíram a lenda da Corrida de São Silvestre, um ícone da história do atletismo brasileiro.
Caminhos da Reportagem: São Silvestre celebra 100 anos
A Corrida de São Silvestre transcendeu a simples competição, tornando-se um símbolo de resiliência e confraternização na metrópole paulistana. Anualmente, o percurso pelas ruas de São Paulo atrai milhares de atletas, tanto profissionais quanto amadores, que buscam desafios pessoais e a emoção de participar de um evento com tal envergadura. O episódio especial da TV Brasil convida grandes nomes para rememorar a trajetória do evento, celebrando sua indiscutível relevância para a cultura esportiva nacional.
A gênese da São Silvestre remonta a 1925, quando o visionário empresário e jornalista Cásper Líbero idealizou a prova após ser inspirado por corridas noturnas que testemunhou em Paris. Em sua primeira edição, o evento contou com a participação de 48 corredores. Erick Castelhero, jornalista e diretor-executivo da São Silvestre, ressalta a intenção original da corrida, que permanece até hoje: “A ideia era sempre linkar ali a última noite do ano com o Réveillon e já chamando para um novo ano. Talvez o Cásper não imaginasse que [a prova] ia chegar ao que ela é hoje.” A frase evidencia a visão de futuro de Líbero, ainda que sem prever a dimensão que a competição alcançaria.
Os Primeiros Passos e a Quebra de Barreiras
No seu período inicial, a disputa da São Silvestre era restrita a atletas brasileiros. O primeiro campeão a gravar seu nome na história foi Alfredo Gomes, neto de escravizados e notável por ter sido o primeiro atleta negro do Brasil a participar dos Jogos Olímpicos. A prova manteve-se exclusivamente nacional até 1945, ano em que as portas se abriram para competidores internacionais, transformando-a em um palco global.
A inclusão de atletas estrangeiros trouxe um novo nível de competitividade, mas também iniciou um longo período de espera por uma nova vitória brasileira. O país enfrentou décadas sem conquistar o primeiro lugar, até que o jejum foi rompido de maneira espetacular em 1980 por José João da Silva. Representando o São Paulo Futebol Clube, José João obteve uma vitória emocionante, assumindo a liderança nos últimos metros da prova. Ele descreve o impacto daquele feito, um momento que considerou sem precedentes: “Ali eu não tinha ideia, para te falar a verdade, do tamanho da vitória. Parou o país, foi uma Copa do Mundo. Essa vitória foi um marco grande.” Cinco anos depois, José João da Silva repetiu o triunfo, cimentando seu legado como um dos poucos brasileiros a alcançar tal façanha dupla.
O Reconhecimento Internacional e a Inclusão Feminina
A crescente notoriedade da São Silvestre e seu alto nível competitivo começaram a atrair talentos de diversas partes do mundo. Dentre eles, destaca-se a mexicana María del Carmen Díaz, tricampeã da prova em 1989, 1990 e 1992. Ela recorda o treinamento em uma região vulcânica próxima à sua cidade natal, Toluca, e o desafio de superar o intenso calor de 30 graus em São Paulo durante sua primeira vitória no período da tarde. Díaz expressa profunda gratidão e admiração pelo apoio do público brasileiro: “Eu realmente admiro o público brasileiro porque, como sempre disse, fui mais reconhecida em outro país do que no próprio México. Sinto orgulho porque há corredoras, corredores e crianças que me dizem que, por minha causa, praticam esportes e gostam de corridas.”
A prova feminina da São Silvestre teve início apenas na 51ª edição do evento, marcando um avanço significativo para a igualdade no esporte. A lendária portuguesa Rosa Mota dominou esta categoria, conquistando seis títulos consecutivos e servindo de inspiração para incontáveis gerações de mulheres no atletismo.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Superação e Inspiração Brasileira
Uma dessas futuras estrelas inspiradas por Rosa Mota foi a brasileira Maria Zeferina Baldaia. Enquanto assistia às vitórias de Mota na televisão, Maria Zeferina, ainda criança, nutria o sonho de se tornar uma atleta. Seu percurso até o sucesso, no entanto, foi marcado por desafios extremos. “Eu corri durante 15 anos descalça porque eu não tinha tênis, meus pais não tinham condições de comprar e mesmo assim eu continuei correndo. Eu tinha o objetivo de ajudar minha família”, recorda Baldaia, ilustrando sua incrível determinação.
Treinando assiduamente nos canaviais de Sertãozinho, interior de São Paulo, Maria Zeferina forjou a base de sua carreira que a levaria à memorável vitória na São Silvestre de 2001. Esse triunfo não apenas transformou a vida de sua família, mas também fortaleceu a cultura esportiva em sua cidade natal, que hoje homenageia a atleta com um centro olímpico que leva seu nome. “E hoje eu poder estar fazendo o que eu ainda faço, que é correr e poder treinar e ver as crianças, jovens e adultos, isso não tem preço”, completa, evidenciando o impacto duradouro de sua jornada.
A São Silvestre como Fenômeno Popular e Projeção Futura
Ao longo de um século, a São Silvestre consolidou-se também como um verdadeiro fenômeno popular. Milhares de atletas amadores, de todas as regiões do Brasil, se reúnem na icônica Avenida Paulista para celebrar o final de ano, a superação de seus próprios limites e a paixão inabalável pela corrida. Essa faceta democrática da prova reforça sua identidade como um evento que transcende a alta performance, abraçando o espírito de comunidade e celebração.
Entre as histórias de perseverança que marcam a corrida está a de Ana Garcez, conhecida na comunidade do atletismo como Ana Animal. Com uma personalidade irreverente e uma lista impressionante de conquistas, Ana chegou a viver nas ruas. Hoje, ela tem a oportunidade de percorrer essas mesmas vias, celebrando a corrida como o grande propósito de sua vida. “A corrida me trouxe perseverança, me trouxe alegria. Se não fosse a corrida, hoje eu não estava falando aqui com você”, ela afirma, resumindo a capacidade transformadora do esporte.
A edição do centenário, marcando os 100 anos de São Silvestre, promete ser a maior da história do evento. A expectativa é que aproximadamente 55 mil participantes se alinhem na largada, distribuídos entre as provas feminina, masculina, para pessoas com deficiência e a já tradicional São Silvestrinha, que anualmente reúne duas mil crianças e adolescentes, fomentando o amor pela corrida e formando uma nova geração de entusiastas.
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O especial “100 Vezes São Silvestre” do Caminhos da Reportagem não é apenas um tributo a um século de tradição, mas um convite à reflexão sobre o poder do esporte em moldar vidas e unir comunidades. Para se aprofundar em mais histórias e análises sobre o cenário esportivo e cultural, convidamos você a explorar outras reportagens e artigos disponíveis em nossa editoria. Continue acompanhando nosso blog para ficar por dentro dos principais acontecimentos e debates. Acesse: horadecomecar.com.br/blog/esporte.
Crédito da imagem: Arquivo Histórico Clube Esperia/Divulgação

