O desempenho das ações nos EUA em 2025 foi marcado por uma forte concentração, um cenário onde poucas companhias obtiveram ganhos exponenciais, enquanto a maioria dos papéis listados nos principais índices da bolsa americana manteve-se estagnada ou registrou perdas. Este fenômeno desenhou um panorama de alta seletividade no mercado, contrastando com o crescimento contínuo da economia norte-americana, mesmo diante de um ciclo de juros elevados.
Enquanto um grupo restrito de empresas viu seu valor se multiplicar expressivamente ao longo do ano, a grande parcela do mercado americano perdeu para a inflação, e algumas companhias enfrentaram a evaporação de quase metade de seus valores acionários. Esse movimento ocorreu em um ano em que, paradoxalmente, a economia dos Estados Unidos permaneceu em expansão. De acordo com a Franklin Templeton, o consumo resiliente dos cidadãos e os investimentos contínuos das empresas foram fatores cruciais para a sustentação do mercado, com um notável direcionamento de gastos para o setor de tecnologia.
Ações EUA 2025: Destaques e Quedas do Mercado Americano
A lógica por trás desse robusto crescimento concentrado, que impulsionou algumas poucas ações a patamares elevados, pode ser compreendida pela emergência e consolidação da inteligência artificial. Conforme explicitado por Artur Wichmann, CIO da XP, durante sua análise sobre o tema da inteligência artificial no evento Onde Investir 2026 do InfoMoney, a IA transcende uma tendência de curto prazo, configurando-se como um ciclo de investimento que se estenderá por vários anos e que ainda está em suas fases iniciais de adoção e expansão.
O ranking a seguir revela as ações com os maiores ganhos e as maiores perdas no S&P 500, o índice de referência da Bolsa americana, em 2025. A lista dos papéis em alta demonstra uma acentuada predominância de empresas diretamente ligadas à tecnologia, com destaque para fabricantes de chips, sistemas de armazenamento de dados e desenvolvedoras de softwares utilizados em aplicações de inteligência artificial. Entre elas, Sandisk, Western Digital, Micron e Palantir exemplificam companhias que fornecem a infraestrutura fundamental para a nova geração de ferramentas e plataformas digitais.
Ações em Alta no S&P 500 em 2025 (Dados até 26/12):
- Sandisk Corporation (SNDK): +594%
- Western Digital (WDC): +302%
- Micron Technology (MU): +238%
- Seagate Technology (STX): +231%
- Robinhood Markets (HOOD): +217%
- Newmont (NEM): +184%
- Warner Bros. Discovery (WBD): +172%
- Palantir Technologies (PLTR): +149%
- Lam Research (LRCX): +146%
- Comfort Systems USA (FIX): +127%
Neste cenário, a Warner Bros. Discovery atraiu atenção em meio à intensa disputa por sua aquisição, travada entre a Netflix e a Paramount, que se anuncia como um reordenamento significativo do setor de streaming. A Robinhood, por sua vez, foi impulsionada por seu movimento estratégico de entrada no mercado de predição. Contudo, para a maioria das empresas que lideraram as altas, incluindo a campeã Sandisk – que é um spin-off da Western Digital e estreou no S&P 500 em novembro –, o principal fator catalisador foi, indiscutivelmente, o entusiasmo pelo ‘trade’ de inteligência artificial.
Ações em Queda no S&P 500 em 2025 (Dados até 26/12):
Diferentemente das maiores valorizações, as quedas das ações em 2025 foram distribuídas por uma gama mais variada de setores da economia. Incluem-se nessa lista companhias de tecnologia que operam fora do nicho de IA, saúde, varejo, serviços financeiros e o mercado imobiliário. Em grande parte desses casos, a desvalorização foi resultado de revisões nas expectativas dos investidores. Empresas que não conseguiram entregar o crescimento projetado anteriormente foram severamente penalizadas, refletindo uma postura mais cautelosa e rigorosa por parte do mercado.
A Morningstar ressalta que, em um ambiente macroeconômico marcado por taxas de juros persistentemente elevadas, os investidores adotaram um crivo mais apurado para avaliar os lucros e a capacidade de geração de caixa das companhias, dando menos peso a projeções futuras e focando em resultados concretos. Este foco renovado na sustentabilidade dos fluxos de caixa se tornou um diferencial para a avaliação das ações.

Imagem: infomoney.com.br
- The Trade Desk (TTD): -67%
- Fiserv (FISV): -7%
- Alexandria Real Estate Equities (ARE): -50%
- Deckers Brands (DECK): -49%
- Gartner (IT): -47%
- Lululemon Athletica (LULU): -45%
- Molina Healthcare (MOH): -43%
- Dow Inc. (DOW): -41%
- LyondellBasell (LYB): -41%
- Charter Communications (CHTR): -39%
Os dados apresentados pelos rankings demonstram claramente que 2025 não foi um ano de valorização generalizada no mercado acionário. Segundo a Charles Schwab, o mercado americano adentrou uma fase de maior dispersão, onde poucos papéis concentraram a vasta maioria dos ganhos, enquanto um contingente considerável de empresas ficou para trás em termos de performance. A Franklin Templeton complementa, explicando que o cenário de juros altos por um período estendido eleva o custo do dinheiro e impõe uma maior seletividade no mercado. Na prática, essa conjuntura beneficia empresas com trajetórias de crescimento límpidas e resultados consistentes, ao mesmo tempo em que penaliza companhias com desempenhos mais incertos ou que dependem excessivamente de expectativas de lucros futuros mais distantes.
Para o ano de 2026, André Rosenblit, gestor de ações globais da Nest Asset Management, projeta uma possível repetição de ganhos para setores específicos de tecnologia. No entanto, ele enfatiza que somente as empresas com “fluxos de caixa real” conseguirão prosperar. Rosenblit alerta que “muitas empresas não relevantes, que subiram muito neste ano no ‘oba oba’ do varejo e que não têm receitas, fluxos de caixa e apresentam prejuízo, irão morrer”, destacando a necessidade de fundamentos sólidos para a sustentação no longo prazo.
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Em suma, o panorama das ações nos EUA em 2025 foi um estudo de contrastes e concentração, com o brilho da inteligência artificial iluminando um segmento, enquanto os juros altos impunham rigor e seletividade ao restante. Compreender essas dinâmicas é essencial para investidores que buscam navegação assertiva nos desafios de um mercado em constante transformação. Para continuar acompanhando análises detalhadas sobre o cenário econômico e os mercados financeiros, explore nossa editoria de Economia.
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