Corpo Humano e Calor Extremo: Riscos à Saúde Acima de 35°C

Saúde

A recente onda de calor extremo, que impactou diversas regiões do Brasil na semana do Natal de 2025, trazendo temperaturas alarmantes para o Rio de Janeiro, São Paulo e outros seis estados nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, evidenciou um desafio significativo para a saúde pública. Conforme alertas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a projeção era de que essa condição climática persistisse até a próxima segunda-feira, dia 29, motivando a emissão de um aviso vermelho, que denota grande perigo.

O alerta vermelho do Inmet indica uma situação de temperaturas que se mantêm 5°C acima da média histórica por um período superior a cinco dias. Esta anomalia climática carrega consigo uma alta probabilidade de riscos severos à vida, além de potenciais danos materiais e acidentes decorrentes das condições extremas de calor.

Corpo Humano e Calor Extremo: Riscos à Saúde Acima de 35°C

Especialistas da área da saúde sublinham que este quadro, exacerbado pelas mudanças climáticas antropogênicas, exige a adoção urgente de medidas preventivas. O Dr. Luiz Fernando Penna, clínico geral e coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, adverte que o calor intenso possui o potencial de induzir um estado crítico conhecido como falência térmica no corpo humano.

De acordo com o Dr. Penna, a falência térmica constitui uma emergência médica caracterizada por confusão mental, pele quente e seca ao toque, e uma elevação da temperatura corporal que supera os 40°C. Ao observar a manifestação de tais sinais e sintomas, é imperativo que o indivíduo procure atendimento médico imediatamente.

Os Efeitos Insidiosos do Calor no Organismo

O médico do Sírio-Libanês enfatiza que a amplitude do impacto do calor na saúde da população é frequentemente subestimada. “Muitas pessoas acreditam que causa apenas mal-estar, mas estamos falando de riscos reais, que incluem desde quedas de pressão até falência térmica”, reitera o especialista, buscando conscientizar sobre a gravidade da situação.

Quando as temperaturas ambientais atingem patamares muito elevados, o organismo opera no seu limite fisiológico. Neste cenário, o corpo humano reage intensificando a produção de suor, acelerando os batimentos cardíacos e promovendo a dilatação dos vasos sanguíneos, todos mecanismos para tentar dissipar o calor. No entanto, estes recursos adaptativos possuem um limite intrínseco. “E, quando falham, instala-se a falência térmica”, complementa o Dr. Penna, descrevendo a cascata de eventos que levam a essa condição perigosa.

A ameaça do calor extremo é ainda mais pronunciada para indivíduos que convivem com doenças crônicas preexistentes. Condições como hipertensão, insuficiência cardíaca, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e doença renal crônica podem ser gravemente agravadas pela exposição prolongada a altas temperaturas, impondo uma sobrecarga perigosa ao sistema já comprometido desses pacientes.

Adicionalmente, pacientes que utilizam certos tipos de medicamentos, incluindo diuréticos, anti-hipertensivos, antidepressivos, anticolinérgicos e antipsicóticos, necessitam de atenção redobrada. Estes fármacos podem potencializar a dilatação vascular ou interferir nos mecanismos naturais de regulação térmica do corpo, tornando seus usuários mais vulneráveis aos efeitos adversos do calor.

Além dos impactos físicos diretos, o calor excessivo também interfere significativamente na qualidade do sono. A dificuldade para descansar adequadamente durante a noite pode levar à alteração do humor, aumento da irritabilidade e uma notável redução na produtividade. A privação do sono afetada pelas temperaturas elevadas impacta a memória e a capacidade de tomar decisões rápidas, aspectos cruciais para o funcionamento diário.

Estratégias de Proteção e Recomendações de Saúde

Para enfrentar estas condições adversas, a hidratação por si só não é suficiente; a proteção ativa é essencial. Profissionais de saúde e órgãos como a UNICEF e o Hospital Sírio-Libanês oferecem um conjunto abrangente de recomendações. É aconselhável evitar a exposição direta ao sol e a atividades externas entre 10h e 16h, período de maior intensidade solar. O uso de roupas leves e claras, bem como a priorização de ambientes com boa ventilação, são medidas importantes. A abstenção de exercícios físicos vigorosos durante ondas de calor é uma tática crucial.

Para trabalhadores que, por força de sua profissão, não conseguem evitar a exposição ao calor extremo – como profissionais da construção civil, entregadores e coletores de lixo – a orientação é que façam pausas frequentes nas horas mais quentes do dia para mitigar os riscos à saúde.

O Dr. Fernando Penna reforça a gravidade da situação: “Não existe adaptação completa para ondas de calor extremas e repetidas. Acima de 35°C com alta umidade, o corpo humano simplesmente não consegue funcionar como deveria”. A principal recomendação é prevenir situações de risco e reconhecer precocemente os sinais de falência térmica, para que um colapso seja evitado.

Estudos corroboram esses alertas. Uma pesquisa conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), datada de fevereiro de 2025 e publicada pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), confirmou a ligação entre altas temperaturas e o aumento da mortalidade na cidade do Rio de Janeiro. A análise, que abrangeu mais de 800 mil mortes entre 2012 e 2024, revelou que o risco é mais elevado para idosos e para pessoas portadoras de condições como diabetes, hipertensão, Alzheimer, insuficiência renal e infecções urinárias. Para mais informações sobre a importância da pesquisa e avisos meteorológicos, consulte os alertas mais recentes no site oficial do Inmet.

O pesquisador João Henrique de Araujo, um dos autores do estudo da Fiocruz, pontuou que, enquanto muitos estudos sobre calor e mortalidade tradicionalmente focam em doenças cardiovasculares e respiratórias, a pesquisa da Ensp também encontrou correlação com doenças metabólicas, do trato urinário e outras condições, como o Alzheimer, ampliando a compreensão dos múltiplos impactos do calor na saúde humana.

Prevenindo o Perigo: Um Guia Prático

As diretrizes para se proteger do calor, compiladas pela UNICEF e pelo Hospital Sírio-Libanês, oferecem um guia essencial para a população:

  • Planejamento e Conhecimento: Antes de agendar qualquer atividade, informe-se sobre as previsões de temperatura e umidade para o dia. Tenha à mão informações sobre serviços de saúde de emergência e telefones úteis, como o 192 para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
  • Manutenção do Conforto Domiciliar: Preserve o frescor de sua residência fechando portas, janelas e cortinas durante as horas de pico de calor. À noite, abra-as para promover a ventilação. Utilize ventiladores ou aparelhos de ar-condicionado de forma moderada, evitando ajustes muito baixos que possam gerar choque térmico.
  • Proteção Exterior Ativa: Mantenha-se afastado do sol nas horas mais quentes. Ao sair, utilize protetor solar, chapéus e guarda-chuvas. Evite ambientes fechados e com pouca circulação de ar, pois nestes locais o calor pode se concentrar e ser ainda mais intenso que ao ar livre.
  • Hidratação Constante e Vestimenta Adequada: Aumente a ingestão de água, mas recuse bebidas alcoólicas, que aceleram a desidratação em vez de relaxar. Opte por tecidos leves e respiráveis; roupas escuras e pesadas retêm calor e prejudicam a ventilação. Cuidado com banhos gelados, que podem causar um efeito rebote, estimulando o corpo a produzir mais calor em resposta à mudança brusca de temperatura.
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Compreender a reação do corpo humano a temperaturas extremas é crucial para garantir a saúde e bem-estar diante das crescentes ondas de calor. Ao seguir as orientações médicas e adotar práticas preventivas, é possível minimizar os riscos associados à exposição ao calor intenso. Para se manter sempre informado sobre temas relevantes de saúde, clima e as notícias que impactam o dia a dia, continue explorando a editoria de Cidades em nosso portal Hora de Começar, sua fonte confiável de informação e análise.

Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil