Forte Tornado em Rio Bonito do Iguaçu: Ventos de 330 km/h marcou profundamente a vida da população do centro-sul do Paraná, com o município de Rio Bonito do Iguaçu sendo o epicentro de uma catástrofe natural na última sexta-feira (7). Imagens de segurança obtidas com exclusividade pela RPC, afiliada da TV Globo na região, documentaram a intensa passagem do fenômeno, evidenciando sua força devastadora e os momentos de pânico vividos pelos moradores.
De acordo com análises do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o evento foi classificado como um tornado F3 na Escala Fujita, caracterizado por ventos que atingiram impressionantes 330 km/h. A força desses ventos transformou a paisagem da cidade, resultando na destruição de cerca de 90% das edificações e infraestrutura de Rio Bonito do Iguaçu.
Forte Tornado em Rio Bonito do Iguaçu: Ventos de 330 km/h
As consequências do desastre foram severas, culminando na perda de sete vidas. Seis dessas vítimas residiam em Rio Bonito do Iguaçu, enquanto uma pessoa morreu na cidade vizinha de Guarapuava. O balanço inicial da Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) apontou que ao menos 835 pessoas necessitaram de atendimento médico devido aos ferimentos, demonstrando a dimensão da emergência de saúde.
As gravações cedidas por um residente de Rio Bonito do Iguaçu fornecem um registro minucioso da tragédia. A sequência temporal do vídeo detalha o início da tempestade por volta das 18h03. Segundos após, as luzes das ruas começaram a falhar e as árvores demonstravam os primeiros sinais de um forte balanço. Às 18h04, a escuridão tomou conta das vias públicas com o apagão das luzes, enquanto a chuva se intensificava dramaticamente. Pouco depois, o muro de vidro de uma residência estremeceu e, em um piscar de olhos, foi completamente destruído pela pressão dos ventos. Um minuto mais tarde, a câmera registrou apenas uma massa de estilhaços e detritos preenchendo o quadro, culminando na interrupção da gravação às 18h05, um testemunho brutal da rapidez da destruição.
Profissionais do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) iniciaram vistorias na área no sábado, 8 de junho, identificando que aproximadamente 30% das estruturas que resistiram precisarão ser demolidas devido a danos irreparáveis. Os 70% restantes, contudo, serão passíveis de reformas. A extensão dos danos exigirá um esforço conjunto para a reconstrução, ressaltando a urgência de medidas de apoio à comunidade.
O impacto desproporcional do tornado fez de Rio Bonito do Iguaçu a localidade mais atingida. Com uma população de cerca de 14 mil habitantes, o município viu 90% de seus imóveis serem comprometidos. Em resposta imediata à crise, o Governo do Paraná, na segunda-feira, dia 10, anunciou uma série de medidas emergenciais. Entre elas, a construção de 320 novas casas para as famílias desabrigadas e a suspensão da cobrança das contas de energia elétrica e de água para os atingidos. Segundo o prefeito Sezar Augusto Bovino, a reconstrução demandará a destinação de R$ 50 milhões do Fundo Estadual de Calamidade Pública (Fecap), conforme projeto de lei aprovado em regime de urgência na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), prevendo um repasse de até R$ 50 mil por residência diretamente às famílias.
A atenção às necessidades da comunidade se estendeu à infraestrutura educacional e previdenciária. Foi autorizada a reconstrução das escolas afetadas, e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), previsto para o domingo seguinte, foi adiado no município. Adicionalmente, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou que os moradores que recebem benefícios assistenciais terão a possibilidade de solicitar a antecipação de sua renda mensal, buscando oferecer suporte financeiro aos mais vulneráveis neste período crítico. A coordenação dos serviços de emergência é crucial em eventos como este, sendo fundamental que as autoridades de proteção civil estejam sempre preparadas. Mais detalhes sobre fenômenos como tornados e a importância da proteção civil podem ser encontrados em portais oficiais de monitoramento meteorológico, como o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).
Quatro dias após os tornados atingirem a região do Paraná, a Sesa divulgou na manhã de terça-feira, 11 de junho, que 20 pessoas continuavam internadas devido aos ferimentos. Desses, 11 pacientes estavam em hospitais de Guarapuava, 6 em Laranjeiras do Sul e 3 em Cascavel. A pasta informou ainda que os atendimentos continuavam sendo supridos com os 16 mil itens, de 18 tipos diferentes (como soro, ataduras, seringas, compressas e agulhas), que foram enviados para os hospitais no fim de semana.
As equipes do Corpo de Bombeiros, que encerraram as buscas na área urbana no domingo, dia 9, após confirmarem que não havia mais desaparecidos, direcionaram seus esforços para a organização de serviços essenciais. O restabelecimento do fornecimento de água e energia elétrica, além da coordenação da distribuição de donativos, como alimentos e água potável, tornaram-se prioridades para minimizar os impactos e acelerar a recuperação. O coronel Jonas Emmanuel Benghi Pinto, subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros, descreveu o cenário encontrado em Rio Bonito do Iguaçu como um “cenário de guerra”, uma representação vívida da destruição observada.
O relato emocionante de Antonio Gieteski ilustra a tragédia em nível pessoal. Filho de José Gieteski, uma das vítimas fatais, ele contou que seu pai estava em casa com a mãe quando o tornado se abateu. Em “um minuto, um minuto e 20 segundos”, a residência de madeira, segundo Antonio, “foi como se caísse uma bomba”. A casa foi arremessada por aproximadamente 30 metros, levando José Gieteski junto, que foi soterrado pelas madeiras caídas. A memória dos que partiram é: José Neri Geremias, de 53 anos (Guarapuava); Julia Kwapis, de 14 anos; Jurandir Nogueira Ferreira, 49 anos; Claudino Paulino Risse, 57 anos; Adriane Maria de Moura, 47 anos; José Gieteski, de 83 anos; e José Eronides de Almeida, de 70 anos, todos em Rio Bonito do Iguaçu.
A reconstrução das cidades atingidas por catástrofes naturais é um processo complexo e que exige grande mobilização. Os desdobramentos dessa tragédia e as histórias de superação certamente farão parte da história de Rio Bonito do Iguaçu por muitos anos. O foco agora se volta para a recuperação e o apoio contínuo às comunidades afetadas.
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Crédito da imagem: Cedidas/Arcílio Pazetto